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Em caso de emergência vale a pena ligar para o 113. Será ?

 

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Setembro de 2015. Era meia noite. Carlos e a familia estavam dormindo. Viviam numa casa recém construida no bairro Capalanca. Num dos quartos Carlos e a esposa gravida Guida dormiam. Em outro estava sua filha de 3 anos e num terceiro quarto dormia Alexandra a filha mais velha de Carlos do primeiro casamento. Alex tem 14 anos, é estudante aplicada e é uma menina educada que só tem dado alegrias a familia e é muito bem vista no bairro.

Dona Guida, de 43 anos, estava gravida de 4 meses e muito feliz por terem finalmente acabado de construir sua casa e abandonarem o prédio bastante desorganizado no centro da cidade de Luanda e mudarem-se para um lugar mais espaçoso.

Carlos tinha 52 anos. Homem esforçado fazia de tudo para com jeito fazer bom uso do pouco dinheiro que conseguia do trabalho e de outros pequenos negócios que iam surgindo vez por outra, para dar a familia algum conforto. Não era rico, nem abastado. Era apenas um homem ajuizado, não dado a excessos que sabia viver e cuidar bem da familia.

A meia noite e meia os cães na casa ao lado da familia de Carlos começaram a ladrar furiosamente. Carlos alarmado, acordou e espreitou pela janela da sala e nada pareceu estranho. Voltou a cama.

Poucos minutos depois um barulho violentissimo abalou a casa. A familia acordou amedrontada. Batidas fortes no portão principal eram ouvidas não só em casa mas em toda  vizinhança.

Homens armados estavam a volta da casa. Conseguiu conta-los. Sete. Armados e furiosamente martelando os cadeados e a fechadura do portão.

A familia em alvoroço começa a gritar por socorro, na esperança de acordar os vizinhos. Começam também a ligar para a policia. Telefone 113.

Tentativas atrás de tentativas. O telefone tocava sem parar. Do outro lado  ninguém respondia.

Os bandidos continuavam a romper com as portas. O portão forte e bem fechado que dava para o quintal estava agora aberto. Eles agora arrombavam a porta de entrada a casa principal.

A familia continuava a tentar contactar a policia. Chamadas uma atrás de outra. 113. Ninguém atendia. Eram agora quase duas horas da madrugada.

Todas as portas estavam agora abertas. Numa última tentativa deseperada de proteger-se, Carlos, Guida e as meninas refugiram-se num dos quartos. Traidos por vizinhos indefesos e por uma policia que que não os protegeu, sentiam-se perdidos.

As senhoras como que antevendo o que lhes esperava e perante toda aquela violência tremiam como varas verdes expostas ao vento. Carlos, impotente, incapaz de proteger-se e a familia, compreendeu  que naquele momento estava sozinho. Compreendeu que autoridade só existe no verbo e no papel. Ali quem mandava eram os marginais sedentos de ver sangue e dinheiro. O 113 falhou-lhe por completo. 

Apanhados e indefesos a familia não conseguiu defender-se.

Carlos foi espancado barbaramente. Os sete bandidos queriam dinheiro. Deu tudo o que tinha. Kwanzas e os parcos doláres que tinha guardado. Queriam mais, muito mais.

“ se conseguiste construir isto tens de ter mais dinheiro” – diziam os marginais.

“Levem tudo, os três carros no quintal, o que quizerem, só nos deixem vivos por favor”- imploravam.

Carlos foi espancado violentamente com coronhadas de AKM. Pisado por todo o corpo. Rebentaram-lhe a cabeça e abandonaram-no pensando que estivesse morto.

Os marginais para convence-los a dar o que não tinham ameaçaram, atirar a filha mais nova no poço de água que estava no quintal, caso não se lhe satisfizessem os desejos.

Quizeram violentar Guida. Esta preferiu que a matassem, visto estar gravida. Furiosos arrastaram a jovem Alex, ainda virgem a um quarto, onde dois marginais a violentaram repetidamente. Os gritos de dor e choros da pobre menina, dilaceravam o coração de Guida.

Depois de satisfeitos, pegaram nas melhores roupa da familia, bebidas e algumas joias e deixaram a casa. Eram então Cinco horas da manhã.

Um dos vizinhos depois de notar que a área estava segura, foi ver a familia. Carlos não tinha morrido. Foi levado ao hospital e por volta das 09:00 horas da manhã os primeiros efectivos da policia chegavam ao local. Brincadeira. Que lindo pais para se viver !

Este caso aconteceu mesmo no Kapalanca durante o mês de Setembro de 2015. A familia abandonou o bairro. Os nomes foram trocados para preservar-se a identidade das vítimas. O 113 não funciona. Os bandidos mandam nos bairros de Luanda. Quem o dúvida vive noutro mundo, não no nosso. No entanto os carros da policia continuam a publicitar o 113.

 

 

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